Acharmos que coisas como lutar pelo nosso pseudo-caminho para a sobrevivência a que chamamos carreira servem para que o nosso mundo pessoal não acabe...
A dor vem quando vemos que essa tal busca pelo Santo Graal nos cegou durante demasiado tempo e foi algo tragicamente inesperado que assim o revelou. Acreditamos que as nossas lutas e preocupações diárias, semanais, mensais são realmente incomodativas. Inconscientes de que muitos dariam tudo por esse "incómodo" em vez do sofrimento que enfrentam. É difícil o confronto com essas "vidas", só o pensar nelas deprime. Cada pessoa também terá a sua visão, com um qualquer número de série na vasta lista de teorias.
Neste momento já não me ocorre nada concreto a dizer... Apenas que me encontro rodeado de diversas conversas, entre sorrisos encurtados, lágrimas e, por vezes, ainda uma certa indiferença. Ainda respiro cansaço de uma noite de uma enorme festa "jovem", creio que assim explicite o vasto número de estudantes "ziguezagueadores", arrastados e que, a determinada altura, sentados no chão e de cabeça pendurada se «estão a sentir mal» mostrando a sua satisfação pelos benefícios do alcoól e algo mais. Isto em meio mundo de gente que se afogava em si própria ocupando grande parte do Parque das Nações. E depois de tudo isso, desde a saída de madrugada e a viagem de comboio ao nascer do sol à chegada a esta margem do Tejo e o dormir até ao início da tarde, aqui me encontro numa sala de espera no Garcia de Orta.
Quem visito, ainda que um dos pilares da minha vida, não está num caso grave, mas o caso da cama ao lado é que me desperta os meus sentidos mais profundos. Custa ver algo assim. Como podemos nós julgarmo-nos invulneráveis a tanto?
Tendo isto tudo a circular na minha cabeça só me surgia uma imagem, http://www.mukto-mona.com/Articles/kevin_carter/hungry%20child_1.jpg
Acho que cada vez mais sinto a Dor de Pensar de que Fernando Pessoa tanto falava, e questiono-me o que realmente será melhor: ser "um filósofo infeliz" ou "um porco ditoso".
Mas no fim apenas digo para mim:
«Vive.»

1 comentário:
Engraçado... Tens jeito!
Mas viver é escrever estas coisas, continua com o teu blogue é um bom satelite humano
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