
domingo, agosto 29, 2010
segunda-feira, agosto 16, 2010
100
Para o 100º escreverei, escreverei tudo o que tenho a escrever mesmo sem saber o que escrever. Quererei dizer tudo o que imagino e sinto, tudo o que penso ou tudo o que é estúpido o suficiente para ousar se atravessar na minha mente.
Ansiarei enumerar as minhas tormentas, banalmente problemas, aqueles que julgo e quero odiar (mesmo sabendo que esse é o pior caminho, mas que a mim a hipocrisia não leva ao desprezo, isso não leva). Quererei falar de como me sinto, depois de uma noite com amigos, me leva a dizer «Amo a minha vida.».
Salientarei que toda a perda de tempo que são discussões e angústias se origina em coisas de valor escasso.
Ouvirei uma música inspiradora para apontar todas estas ideias que me encha a alma (ou talvez o ego) – escolha difícil que terei de fazer na minha enorme lista de paixões musicais.
Passar-me-ão momentos em que quererei ser directo (e até infantil) e atacar pessoas que nem conheço mas que me perturbam por uma série de razões… serei até capaz de dizer que já nem conheço pessoas que já foram o meu mundo.
Pararei aí e tornar-me-ei melancólico (para variar) e tornarei as desilusões e as mudanças da vida o assunto.
Agarrarei numa frase (já outrora pensada) e lançá-la-ei com uma bruta convicção:
Amo loucamente a vida mas perdi a fé nela.
E enquanto a escrevo passar-me-ão todas as imagens que me fizeram pensá-la, delas saltarão palavras como “cancro”, “novo”, “morte” e até mesmo “amor”.
Chegarei ao ponto de me chamar patético e esse insulto/adjectivo/seja-o-que-fôr trará consigo os outros que me perseguem, tais como “dramático”, “marreco”, “maluquinho”… e isto tornar-se-á um monólogo destrutivo.
Utilizarei uma passagem interminável de fotografias no IPod para iluminar a folha de papel onde escreverei deitado na cama de um quarto às escuras das 3 da manhã – altura em que as melhores ideias surgem.
Páro de escrever e surgir-me-á uma foto que não quereria ver pela simples ironia da vida – aqui o monólogo será um lamento.
Remendarei, mudanças são boas e tudo está bem. O valor das coisas desflora quando um problema surge ou quando quase as perdemos – nós humanos somos tão rascos.
Pensarei em saudades, quererei falar de fútil desespero e de outras parvoíces com as quais ainda nada aprendi, mesmo que elas já tenham sido fruto de dor.
Olharei em volta e ficarei inquieto… estupidamente.
Verei o dormir como o melhor a fazer a seguir para acordar mais tarde como se tudo isto nada de importante fosse. Nem isto nem nada do que o precedeu.
Dormirei para fugir, mesmo sabendo que por vezes me perco ainda mais?
Ainda bem que nada disto escrevi.
domingo, agosto 08, 2010
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